O que eu senti com o meu convite de casamento?

O que eu senti com o meu convite de casamento?



Eu estou noiva e acabei de finalizar o meu convite de casamento. Eu postei recentemente um texto sobre o que eu aprendi com o processo de criação dele, que não aconteceu como o esperado, mas enquanto eu fazia a montagem final do convite eu não pude deixar de sentir que… 


De alguma maneira, eu consegui colocar todos os meus sentimentos nesse convite.

A cada convite que eu montava, eu sentia. Todo o amor que eu sinto pelo meu noivo, todo o amor que eu quis colocar nessa peça, todas as músicas que me fazem sonhar com o nosso dia, todas as sensações que eu queria que os convidados sentissem — estava tudo ali. Era como se meu convite tivesse saído de um sonho. Eu não acreditei que consegui fazer isso, mas eu consegui. Eu sentia tão profundamente a cada convite que eu montava, e ainda mais forte quando eu lia o texto, sentia as diferentes texturas, as camadas, a fita artesanal… Eu podia sentir um padrão (o de achar que meu convite não ficou como eu queria) sendo descristalizado dentro de mim e, então, algo sendo curado. 


Nós precisamos respeitar as limitações dos outros.

Sejam os outros pessoas ou materiais. Respeitar as limitações dos outros é aceitar quem eles são; é observar; é não colocar expectativa no outro, porque expectativa gera tensão. É engraçado que essa era uma lição de vida que eu precisava aprender e o universo percebeu que meu convite seria a ocasião perfeita para me ensiná-la. O que aconteceu foi: como eu poderia esperar que um envelope rústico, que eu nunca toquei ou acompanhei o processo de produção, ficasse com cara de clássico? Como eu poderia esperar que uma calígrafa que nunca usou um papel daquele conseguiria fazer a caligrafia ficar como nos papéis comuns? Como eu poderia esperar que todas as peças se combinassem perfeitamente se eu não testei todas elas juntas no início? Eu não poderia. Eu não me abri para conhecer o outro e para aceitá-lo como é; não por completo. E talvez o título desse tópico ficaria melhor se fosse simplesmente: nós precisamos conhecer o outro.


Nós não temos controle sobre nada além de nós mesmos.

Ou seja, além das nossas sensações, pensamentos e ações. Então quando estamos vivenciando algo e nosso primeiro instinto é querer controlar cada detalhe, cada etapa, cada pessoa envolvida, estamos, na verdade, bloqueando o fluxo natural da vida e impedindo que algo que foge do nosso controle seja experienciado e integrado em nosso ser — sendo que esse algo pode ser muito mais maravilhoso do que o que você poderia imaginar, entende?


Existe uma linha tênue entre planejar e controlar. O controle é feito com tensão, o planejamento é feito com intenção. No planejamento, existe o deixar fluir. No caso do meu convite, eu controlei mais que planejei e deixei que outras coisas entrassem no meio desse caminho, o que resultou em frustração. Escrevendo esse texto, sinto que estou, finalmente, saindo da frustração e indo para o aprendizado, por meio da presença e da observação — que foi o que eu senti enquanto fazia a montagem do meu convite.


Tudo bem não estar tudo bem.

Inclusive, faz parte do casamento. Faz parte das nossas profissões. Faz parte da vida. Mais do que nunca, todos nós estamos sentindo que não temos controle sobre nada. Se você é uma designer gráfica, espera-se que você tenha um pouco mais de controle sobre papéis e sobre criação, mas você ainda é humana, você ainda é um ser vivo que não pode controlar nada. E tudo bem. Tudo bem porque, nesse caso, a imperfeição acabou combinando com a fita artesanal da Carretel, com o papel artesanal da Moinho Brasil, com a impressão feita pela LetterPress Brasil, com a tag informando a nova data do casamento (que precisou ser adiado), com o lacre de cera que eu estou aprendendo a fazer e com tudo que o nosso dia mais feliz (como eu gosto de chamar) se tornou: perfeitamente imperfeito.


Bom dia,












p.s. — esse texto foi escrito no dia 12 de abril de 2020, após eu ter feito a montagem dos meus convites — ou seja, juntado o convite, com a tag dos detalhes, com a tag da nova data, amarrado as três peças com a fita artesanal e posicionado-as dentro do envelope —, mas foi sendo construído até o dia de hoje, 20 de abril, período em que eu experienciei a Vivência do Ser Noético, vivência online criada pelas maravilhosas Pati Putz e Rafa Panzini, que tem me ensinado vários conceitos que eu tratei aqui e me ajudado a integrar a experiência de produzir meus próprios convites de casamento ao mesmo tempo em que construo a minha empresa de papelaria sustentável para casamentos conscientes. Gratidão.

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